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Crítica | ‘A Maravilhosa Árvore Encantada’ resgata o encanto da infância em uma aventura familiar

Fantasia é usada para falar sobre conexão em um mundo cada vez mais dominado pelas telas

Fantasia é usada para falar sobre conexão em um mundo cada vez mais dominado pelas telas

Não é a primeira vez que a infância e a fantasia se encontram nas telonas para representar momentos que parecem mágicos aos olhos das crianças. Apesar de partir de uma fórmula já conhecida, A Maravilhosa Árvore Encantada consegue apresentar seu universo de forma satisfatória e coerente com a proposta de uma aventura simples e familiar.

Dirigido por Ben Gregor e escrito por Simon Farnaby, de “Wonka” e “As Aventuras de Paddington 2”, o filme entrega o encanto que promete no título com muitas cores vibrantes e cenas que parecem ter saído diretamente da nossa imaginação. Seu diferencial, no entanto, é justamente colocar esse universo em conflito com o excesso de telas, os joguinhos de celular e a dependência da internet.

Homem na mesa de jantar com duas crianças usando eletrônicos
Imagem: Divulgação/Diamond Films

A história é uma adaptação da série de livros “The Magic Faraway Tree”, escrita pela autora britânica Enid Blyton. Publicada originalmente a partir dos anos 1940, a obra acompanha crianças que descobrem uma árvore mágica capaz de levá-las a diferentes mundos. O filme aproveita essa premissa para apresentar a fantasia a uma nova geração, mas também faz algumas mudanças para aproximar a história de questões mais atuais, trazendo humor e crítica ao mesmo tempo.

Andrew Garfield e Claire Foy dão vida aos pais das três crianças que completam uma família cada vez mais distante e desconectada. A relação dos dois é apresentada de uma maneira natural e discreta, o que dá abertura para mostrar a importância de estar presente na vida dos filhos e de recuperar momentos de conexão que acabam sendo deixados de lado. É fácil enxergá-los como pessoas que ainda parecem acreditar em algo que a maioria dos adultos acaba esquecendo ao crescer.

Homem e mulher olhando plantação com criança
Imagem: Divulgação/Diamond Films

Quando a rotina de sempre deixa de ser o suficiente, eles largam essa realidade e recomeçam vivendo seus sonhos de juventude em um sítio para vender tomates, construir, consertar e plantar uma nova tentativa de futuro. A falta de energia ou de internet não é nem a parte mais difícil quando duas das três crianças não parecem nem perto de se adaptar ao ambiente.

A caçula Fran, no entanto, tem um encontro inesperado com uma fada e, consequentemente, com o mundo mágico da Árvore, que se torna uma porta de entrada para uma infância mais imaginativa, com uma fotografia cheia de cores e cenários detalhados. “Encantada” é uma palavra que parece feita para descrever essa parte do filme.

Em alguns momentos, a aventura chega a lembrar “As Crônicas de Nárnia“, principalmente pela ideia de crianças que deixam o cotidiano para trás e encontram um universo fantástico habitado por criaturas e situações inesperadas. A diferença é que aqui tudo é conduzido de maneira mais leve, colorida e assumidamente infantil.

Os conflitos também aparecem de forma mais pontual, como quando as crianças precisam lidar com as consequências dos desejos feitos na Terra dos Aniversários e, mais tarde, acabam presas no mundo controlado por Dame Snap, professora severa que domina uma das terras. Ainda assim, o verdadeiro desafio da história não está no mundo mágico, mas na falta de conexão e sintonia daquela família na vida real.

Imagem: Divulgação | Diamond Films

Apesar de ter elementos mais que suficientes para construir uma aventura marcante, o filme não vai além do previsível. Algumas ideias são apresentadas de maneira superficial e, mesmo com um universo cheio de possibilidades, fica a sensação de que faltam mais desafios e conflitos no mundo mágico para tornar a jornada das crianças ainda mais envolvente.

Certos acontecimentos também poderiam ganhar mais espaço e desenvolvimento para que suas consequências fossem realmente sentidas. A produção encontra equilíbrio no humor e em momentos genuinamente emocionantes, mas deixa aquela sensação de ainda sentir falta de algo no final.

De qualquer forma, A Maravilhosa Árvore Encantada traz de volta o prazer de imaginar, brincar e se desconectar por algumas horas de um mundo dominado pelas telas. Mesmo sem fugir do previsível, consegue ser tocante por lembrar como a infância merece ser vivida e que ainda é possível conservar um pouco disso após crescer. O filme chega aos cinemas brasileiros oficialmente em 10 de setembro, mas conta com sessões antecipadas entre os dias 5 e 7 de setembro em cinemas selecionados.

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