Splatoon se mostrou ser uma franquia com grande potencial desde o seu lançamento para o Nintendo Wii U. Mesmo com três jogos, o foco sempre foi o multiplayer online, com pouco conteúdo offline, o que acabava afastando quem gosta de zerar campanhas.
Em sua estreia no Nintendo Switch 2, o quarto jogo da franquia chegou com a proposta de entregar uma experiência totalmente single-player, deixando os elementos online como opcionais. Splatoon Raiders chegou e, antes mesmo de começar este review, posso dizer uma coisa: o jogo superou todas as minhas expectativas em um nível que eu realmente não esperava.
Uma aventura focada no singleplayer
A proposta pode ser resumida em um único gênero: looter shooter. A ideia é completar fases, repetir desafios e buscar equipamentos e armas cada vez melhores. Para isso, Splatoon Raiders aposta em missões curtas, que normalmente duram entre um e seis minutos, tornando a progressão bastante dinâmica.

Em sua campanha, acompanhamos um personagem totalmente personalizável ao lado de Shiver, Frye e Big Man, trio apresentado em Splatoon 3. A história funciona apenas como pano de fundo e existe muito mais para justificar a jogabilidade do que para entregar uma narrativa marcante. Quem procura um enredo profundo provavelmente ficará um pouco decepcionado.
Um dos poucos pontos negativos é a ausência de localização em português. Considerando a quantidade de diálogos e piadas espalhadas durante a campanha, este tinha potencial para ser um dos melhores trabalhos de localização da Nintendo.
Gameplay viciante e dificuldade muito bem equilibrada
A dificuldade é um dos aspectos que mais me surpreendeu. Quando enfrentamos fases compatíveis com o nosso nível, o desafio existe, mas nunca chega a ser injusto. Em compensação, ao entrar em missões acima do recomendado, a situação muda completamente. Os inimigos ficam muito mais agressivos, resistentes e obrigam o jogador a investir em melhorias para armas e tanques antes de continuar.
O gameplay mantém a essência da franquia. Espalhamos tinta pelo cenário para nos locomover mais rápido na forma de lula e, enquanto permanecemos dentro da tinta, também recuperamos a vida. É uma mecânica conhecida pelos fãs, mas que continua funcionando muito bem.

As fases podem passar uma sensação inicial de repetição, principalmente porque muitas delas são pequenas. Ainda assim, isso nunca chegou a me incomodar. O jogo foi claramente construído em torno dessa estrutura de missões rápidas, incentivando o jogador a repetir desafios para evoluir de nível e conseguir novos equipamentos.
Os objetivos também conseguem variar bem. Em algumas fases, basta chegar ao final para abrir um baú. Já outras apostam nas famosas missões de andares, que estão entre os momentos mais difíceis do jogo. Nelas, precisamos coletar Power Eggs, pequenas esferas laranjas usadas para melhorar os tanques, tudo isso dentro de um tempo limitado.
No início parece uma tarefa simples. Porém, conforme novos desafios são liberados, a quantidade de inimigos aumenta bastante e completar cada objetivo passa a exigir estratégia. Ao chegar no último andar, ainda enfrentamos um chefe, e derrotá-lo sempre deixa aquela sensação de recompensa que incentiva a continuar jogando.
Progressão incentiva jogar “só mais uma fase”
Mesmo sendo totalmente voltado para o single-player, Splatoon Raiders oferece uma ajuda para quem estiver travado. A opção “Call for Help” permite chamar outro jogador para completar a missão em cooperação. O sistema também evita desequilíbrios, já que os inimigos se adaptam ao nível de cada participante.
O maior diferencial do jogo está nos tanques de tinta. Antes de cada missão podemos escolher entre três modelos diferentes, e cada um altera completamente o estilo de jogo, seja aumentando a velocidade dos disparos ou causando mais dano.

Cada tanque também possui seus próprios gadgets, habilidades especiais que podem ser usadas durante as fases e entram em tempo de recarga após a utilização. Dependendo da combinação escolhida, eles fazem uma enorme diferença quando estamos cercados por grandes grupos de inimigos.
Esses gadgets ainda podem receber melhorias por meio de um sistema de pontos. Não é possível equipar tudo ao mesmo tempo, então sempre precisamos escolher quais bônus fazem mais sentido para a nossa estratégia. Esse limite torna a evolução mais interessante e evita que o personagem fique forte demais logo no início.

Além disso, o jogo conta com um sistema tradicional de níveis. Cada novo nível rende uma engrenagem que pode ser usada para melhorar atributos como vida, dano da arma e força dos gadgets. O próprio sistema impede que todos os pontos sejam investidos em uma única categoria, incentivando uma evolução mais equilibrada.
Também podemos desbloquear melhorias para a base principal, liberando novas funções, como a mesa de aprimoramento das armas e upgrades adicionais para aumentar o dano.
Vale a pena?
Splatoon Raiders é um jogo obrigatório para quem possui um Nintendo Switch 2. A fórmula de looter shooter combinou perfeitamente com a franquia e trouxe uma experiência que consegue ser divertida tanto em sessões curtas quanto em longas maratonas.
A progressão constante, o desafio gradual e as partidas rápidas fazem com que seja muito fácil jogar “só mais uma fase”. É um título que consegue agradar tanto quem joga poucos minutos por dia quanto quem gosta de passar horas evoluindo o personagem.
Além disso, o jogo ainda tem um enorme potencial para receber novos conteúdos no futuro. Se a Nintendo aproveitar essa base para expandir a experiência com atualizações, Splatoon Raiders tem tudo para permanecer relevante por muito tempo.
Agradecimento a Nintendo Brasil por nos fornecer uma cópia para review.
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