Review | Lord of Hatred exterminou meu ódio de Diablo IV

A melhor expansão do game

A melhor expansão do game

Depois da pessíma Vessel of Hatred, ficou aquela sensação de que Diablo IV ainda tinha muita história para contar. A expansão resolveu várias questões importantes e abriu portas para algo maior envolvendo Mephisto. Lord of Hatred pega justamente esse gancho e transforma tudo em uma expansão ainda mais ambiciosa.

Leia também: Review | Vessel of Hatred é ruim como o inferno

A Blizzard claramente entendeu o que funciona no endgame do jogo e entregou uma expansão que adiciona conteúdo relevante praticamente em todas as áreas possíveis: campanha, classes, exploração, progressão e atividades pós-jogo.

Depois de várias horas em Skovos, afirmo que essa é, de longe, a melhor expansão do game. Sem mais enrolação, confere a minha review completa de Lord of Hatred.

Esta review de Lord of Hatred foi feita versão de PlayStation 5 do game, com um código cedido pela Activision Blizzard BR.

Skovos é facilmente uma das melhores regiões já feitas para Diablo

A nova região da expansão acerta logo de cara pela ambientação. Skovos consegue passar aquela sensação clássica de território antigo e sagrado da franquia, mas ao mesmo tempo traz biomas diferentes do que vimos anteriormente em Diablo IV.

Tem áreas costeiras enormes, regiões vulcânicas, campos abertos, ruínas e florestas densas tomadas pelas forças de Mephisto. O mapa possui bastante personalidade visual e ajuda muito a evitar aquela sensação de repetição que algumas áreas do jogo base acabavam transmitindo depois de dezenas de horas.

Além disso, explorar Skovos constantemente rende pequenas descobertas e atividades secundárias. Não é apenas um novo mapa jogado ali para cumprir tabela.

A campanha finalmente volta a colocar Diablo onde ele merece

Lord of Hatred continua diretamente os acontecimentos de Vessel of Hatred e coloca Mephisto em uma posição ainda mais perigosa dentro do universo do jogo.

Sem entrar em spoilers, a expansão trabalha muito melhor seus personagens do que o jogo base em vários momentos. Existe um foco maior em diálogos importantes e construção dramática. A campanha não tenta simplesmente te empurrar de missão em missão sem contexto.

A história também consegue equilibrar momentos mais grandiosos com aquele clima sombrio clássico da franquia. Tem cenas muito boas aqui, algumas inclusive lembram bastante Diablo II em certos momentos.

A campanha não é extremamente longa, algo entre 6 e 8 horas dependendo do ritmo, mas dificilmente fica cansativa.

O retorno do Paladino era exatamente o que Diablo IV precisava

Se existe um grande destaque dessa expansão, provavelmente é o Paladino. A Blizzard conseguiu modernizar a classe sem perder sua identidade clássica. Quem jogou Diablo II vai reconhecer vários elementos familiares: ataques rápidos corpo a corpo, habilidades sagradas, builds defensivas e aquela sensação de virar uma máquina de esmagar demônios no late game.

Você pode focar em dano agressivo, builds mais resistentes, habilidades sagradas ou até misturar estilos. Em pouco tempo, meu personagem já estava atravessando hordas inteiras praticamente sem parar. O combate simplesmente encaixa muito bem.

O Bruxo é a surpresa da expansão

Enquanto o Paladino aposta naquela fantasia mais clássica de guerreiro sagrado, o Bruxo vai para um caminho completamente diferente.

A classe gira em torno de magia demoníaca e invocações. Dependendo da build escolhida, o personagem pode funcionar quase como um invocador, um controlador ou até uma espécie de mago focado em dano elemental pesado.Foi uma decisão inteligente da Blizzard lançar duas classes tão diferentes entre si.

Isso ajuda bastante na variedade e faz com que testar builds novas seja algo realmente divertido ao invés de apenas trocar números e habilidades parecidas.

O endgame melhorou demais

Uma das maiores críticas ao Diablo IV sempre foi a sensação de repetição no pós-jogo. Lord of Hatred melhora isso bastante. Os novos Planos de Guerra funcionam quase como campanhas secundárias dentro do endgame. Você recebe objetivos específicos, caça recompensas, enfrenta eventos diferentes e ganha materiais importantes para progressão.

Não é uma revolução absurda na estrutura do jogo, mas adiciona variedade suficiente para manter a rotina menos automática. E sinceramente? Diablo precisava muito disso. A expansão também aumenta o limite de nível e adiciona novas dificuldades.

Os Talismãs são boas adições

Outro sistema novo importante são os Talismãs. Na prática, eles funcionam como uma camada extra de customização para builds. Você encaixa amuletos com bônus específicos e consegue montar combinações voltadas para dano, mobilidade, resistência e outros efeitos passivos.

Mesmo quem não gosta de ficar fazendo cálculos absurdos consegue entender rapidamente como utilizar os Talismãs de forma eficiente.

Nem tudo funciona tão bem assim

Apesar de acertar bastante coisa, Lord of Hatred ainda possui alguns problemas. O principal deles talvez seja o minigame de pesca. Sim, existe pesca em Diablo IV agora.

A ideia até parece curiosa no começo, mas o sistema é extremamente simples e acaba parecendo mais uma distração colocada ali para gerar atividade paralela do que algo realmente interessante. Pelo menos nesse primeiro momento, ele adiciona pouco ao loop principal do jogo.

Além disso, apesar da campanha ser muito boa, algumas perguntas importantes da narrativa continuam abertas demais. Claramente a Blizzard já pensa no futuro da franquia, mas certas decisões deixam aquela sensação de história incompleta.

Otimização, já!!

Outro ponto que me incomodou bastante durante a jogatina para esta review de Lord of Hatred foi a questão técnica no PlayStation 5 base, plataforma onde joguei praticamente toda a campanha solo.

O desempenho do jogo oscila bastante em vários momentos. Em combates mais caóticos ou principalmente durante transições de mapas aconteceram muitas quedas de FPS e travamentos perceptíveis. E infelizmente os problemas não pararam por aí.

Mesmo jogando sozinho durante boa parte da campanha, enfrentei muitos problemas de conexão. O jogo apresentou picos de ping altos constantemente, perda de pacotes, pequenas travadas durante movimentação e até desconexões completas em alguns momentos.

Teve situações em que o combate simplesmente perdia fluidez por conta do lag, algo que atrapalha bastante em um jogo tão focado em resposta rápida e movimentação constante. Fica claro que a Blizzard ainda precisa trabalhar melhor na otimização

A Blizzard encontrou um caminho muito bom para Diablo IV

Depois de altos e baixos desde o lançamento original, Diablo IV finalmente começa a parecer um jogo plenamente estruturado para durar muitos anos. Lord of Hatred melhora praticamente tudo que já funcionava no game base e ainda adiciona sistemas relevantes sem transformar a experiência em algo exageradamente inchado.

As novas classes são excelentes, Skovos é uma ótima região, o endgame ganhou mais fôlego e a campanha consegue entregar vários momentos marcantes. A batalha contra Mephisto é muito épica.

Mesmo com pequenas falhas, principalmente em sistemas secundários como a pesca, essa expansão faz exatamente o que uma boa expansão de Diablo deveria fazer: aumentar ainda mais a vontade de continuar jogando.

Considerações finais

Finalizo esta review de Lord of Hatred cravando que, para quem gosta de Diablo IV, Lord of Hatred é praticamente obrigatório. A expansão adiciona muito conteúdo relevante e traz duas das classes mais divertidas do jogo até agora. Mais do que isso, ela finalmente passa a sensação de que Diablo IV encontrou sua identidade definitiva no longo prazo.

Para veteranos da franquia, especialmente quem tem carinho pelo Paladino clássico, existe uma boa chance dessa expansão virar facilmente uma das favoritas da nova fase da série.

Lord of Hatred chegou no dia 28 de abril para todas as plataformas que possuem Diablo IV

Leia também:

Apaixonado por games, filmes, séries, músicas, HQ's e por cachorros. Jogos desafiadores são meus preferidos. Jogo, assisto, ouço, leio e, às vezes, exerço minha profissão de professor.