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Review | Assassin’s Creed Black Flag: Resynced resgata o melhor da era de ouro da franquia

Assassin’s Creed foi uma das primeiras franquias que lembro de maratonar na minha vida. Lá em 2014, tive a brilhante ideia de jogar todos os títulos disponíveis até aquele momento, e um deles simplesmente me conquistou por ser totalmente diferente dos anteriores. Claro que estou falando de Assassin’s Creed IV: Black Flag, que me deu a liberdade de comandar um navio e participar de inúmeras batalhas navais.

Quando o remake foi anunciado, minha maior torcida era para que a Ubisoft elevasse ao máximo a fórmula que já funcionava, mas também corrigisse alguns problemas que o jogo original carregava. Agora, depois de jogar Assassin’s Creed Black Flag: Resynced, posso dizer com tranquilidade que esta é a versão definitiva de um dos melhores jogos de piratas já feitos.

Reprodução: Paulo Vitor

Logo nos primeiros minutos já fica evidente o quanto o visual evoluiu. A vegetação das ilhas está muito mais densa, rica em detalhes e cheia de vida. A iluminação também recebeu um tratamento excelente, deixando cada cenário ainda mais bonito. O mais impressionante é que fiz toda a campanha no modo desempenho e, mesmo assim, a qualidade gráfica chamou bastante atenção.

Outro aspecto que recebeu uma enorme evolução foi a água, que praticamente se tornou um espetáculo à parte. Cada onda, cada horizonte e cada tempestade fazem você querer simplesmente parar para admirar o cenário. A ambientação subaquática também foi completamente expandida, oferecendo muito mais áreas para exploração do que no jogo original. Assim como aconteceu nas ilhas, todo o ambiente debaixo d’água recebeu um cuidado especial e ficou belíssimo.

Gameplay mais moderno e muito mais divertido

Além da parte visual, o combate corpo a corpo foi totalmente reformulado. No jogo original, Edward ficava bastante preso aos inimigos ao redor, tornando os confrontos mais limitados. Em Resynced, a movimentação está muito mais livre e dinâmica, permitindo alternar entre os adversários com muito mais naturalidade.

Os golpes agora utilizam os botões de ombro, uma mudança que pode causar certa estranheza nos primeiros minutos, mas que rapidamente mostra ser uma evolução bastante acertada.

O aparo continua sendo uma das técnicas mais importantes do combate. Ao executá-lo no momento certo, é possível eliminar o inimigo instantaneamente, tornando os confrontos bastante satisfatórios. Nem todos os ataques podem ser defendidos, porém isso ficou muito mais claro graças aos indicadores visuais. Quando o símbolo aparece em azul, é possível bloquear e contra-atacar. Já quando fica vermelho, significa que o golpe é crítico e não há como defendê-lo.

Reprodução: Paulo Vitor

O parkour, uma das marcas registradas da franquia, também recebeu melhorias importantes. Agora é possível realizar saltos manuais, fazer escaladas mais fluidas e utilizar tirolesas espalhadas pelo mapa. São mudanças que ampliam bastante as possibilidades de movimentação, principalmente durante perseguições e fugas.

As missões de furtividade também ficaram muito melhores. No jogo original, diversas delas obrigavam o jogador a permanecer escondido do início ao fim, enquanto a câmera nem sempre colaborava para acompanhar os alvos. Em Resynced, é possível espioná-los com muito mais liberdade e, caso você seja descoberto, basta partir para o combate sem que a missão seja encerrada imediatamente.

Outra mudança que considero muito bem-vinda foi a remoção das seções do Animus. No original, constantemente éramos retirados das memórias de Edward para caminhar pelos escritórios da Abstergo, algo que quebrava completamente o ritmo da campanha. Felizmente, essa interrupção foi eliminada no remake, deixando a narrativa muito mais fluida.

O combate naval continua sendo o grande destaque

O combate naval, um dos maiores acertos do jogo original, ficou ainda melhor. Agora existem novos tipos de munição, disparos secundários, melhorias para os morteiros e até os barris explosivos foram reformulados.]

Reprodução: Paulo Vitor

Com essa maior variedade de armamentos, as batalhas exigem mais estratégia. Dependendo do navio inimigo, vale muito mais a pena trocar o tipo de munição durante o confronto, tornando cada combate mais variado e menos repetitivo.

As tradicionais canções da tripulação também estão de volta. Navegar pelos mares enquanto todos cantam continua sendo uma das experiências mais marcantes do jogo. É um momento extremamente relaxante, que aumenta muito a sensação de estar comandando uma verdadeira embarcação pirata.

Nem tudo foi corrigido

Apesar das inúmeras melhorias, alguns problemas continuam presentes.

A inteligência artificial dos inimigos ainda deixa bastante a desejar em alguns momentos. Em diversas situações assassinei um guarda ao lado de outro soldado, e ele simplesmente não percebeu nada. São pequenos detalhes que acabam prejudicando um pouco a imersão.

Também encontrei um problema pontual durante uma missão, quando Edward ficou preso em um pilar. Tentei sair de todas as formas possíveis, mas a única solução foi fechar o jogo e iniciá-lo novamente.

Por outro lado, problemas gráficos ou de desempenho praticamente não existem. Em nenhum momento percebi quedas na resolução ou na taxa de quadros. A performance no modo desempenho se manteve extremamente estável durante toda a campanha, pelo menos na minha experiência utilizando um PlayStation 5 base.

Outro ponto positivo está nas opções de acessibilidade e personalização. É possível ajustar separadamente a dificuldade do combate terrestre, naval e furtivo, personalizar praticamente toda a interface, remapear controles, utilizar viagem rápida com a Gralha, desativar eventos de resposta rápida e configurar diversos recursos voltados para áudio, navegação e visibilidade. Esse nível de personalização permite que diferentes perfis de jogadores adaptem a experiência exatamente da forma que preferirem.

Vale a pena?

Assassin’s Creed Black Flag: Resynced conseguiu fazer aquilo que parecia impossível: pegar um clássico já consagrado e modernizá-lo sem perder sua essência. Para quem acreditava que um remake era desnecessário por conta da qualidade do original, o resultado certamente será uma grata surpresa.

Muito mais do que aumentar resolução e melhorar texturas, a Ubisoft reconstruiu diversos sistemas do jogo. O combate está muito mais refinado, o parkour ganhou mais liberdade, as missões de furtividade finalmente deixaram de ser frustrantes e o combate naval ficou ainda mais estratégico. O resultado é um remake que respeita o original, mas entrega uma experiência muito melhor para os padrões atuais.

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