Existe uma diferença entre um filme de terror ruim que acaba sendo divertido justamente por suas limitações e outro que parece testar a sua paciência a todo momento. Murder Mouse: Parque da Morte tenta construir uma história de adolescentes presos em um parque de diversões abandonado, mas tropeça em praticamente todos os elementos que poderiam tornar essa premissa minimamente envolvente. O resultado é uma mistura de atuações artificiais, humor exagerado e decisões tão absurdas que o medo acaba dando lugar à vergonha alheia.
A trama acompanha um grupo de adolescentes que invade o Mickey’s Playhouse em busca de adrenalina, ignorando os avisos e as lendas que cercam o lugar, um clássico caso de jovens inconsequentes e burros. O parque, tomado por memórias de um passado sombrio e segredos ligados à ganância corporativa, logo se transforma em um cenário de pesadelo.

O maior problema está justamente nos personagens e na maneira como eles reagem às situações. As atuações soam extremamente forçadas, com diálogos artificiais e expositivos, além de interpretações que raramente parecem naturais, mas que até é possível relevar, visto que não é o que você deve esperar de um filme como esse. O humor também não ajuda, visto que as mulheres parecem presas a uma caricatura de conversas exageradas, enquanto os homens oscilam entre serem bobos demais para um público adulto e constrangedores demais para um público jovem. O filme tenta encontrar espaço para momentos cômicos, mas quase sempre parece não perceber o quanto suas próprias cenas já são “engraçadas” pelas razões erradas.
Em determinado momento, por exemplo, uma garota tem um comportamento completamente psicótico e tenta matar outra durante uma festa após usar um tipo de droga, mas o acontecimento absurdo aparentemente perde toda a importância no dia seguinte, como se nada tivesse acontecido. Em outra situação, uma mulher com o rosto tatuado aparece inesperadamente no parque, de noite e sozinha, e a primeira reação do típico garanhão é flertar com ela, apesar de estar namorando. É difícil saber se o roteiro espera que o público aceite essas situações como normais ou se simplesmente não se preocupa com absolutamente nada do que ele joga para quem está assistindo.
No entanto, se existe uma qualidade que Murder Mouse: Parque da Morte consegue entregar, é justamente a capacidade de preencher todos os requisitos de um slasher com personagens inconsequentes. Os adolescentes tomam decisões tão estúpidas que assistir ao filme se transforma em um exercício constante de questionar por que alguém faria aquilo, além de te proporcionar a oportunidade de fazer um bolão com seus amigos de quem ou quantos vão sair vivos no final. Alguns personagens cometem erros por medo, desespero ou imprudência e outros parecem existir apenas para facilitar o trabalho do assassino. Aqui, a segunda opção predomina.
Em vários momentos, o filme lembra um projeto universitário de conclusão de curso audiovisual, daqueles em que a ambição da história supera bastante os recursos disponíveis para executá-la. O baixo orçamento, por si só, não seria um problema. Muitos filmes de terror conseguem transformar limitações financeiras em criatividade, usando a sugestão, a atmosfera e boas ideias para compensar o que não conseguem mostrar. A Morte do Demônio (1981), por exemplo, transformou recursos limitados em uma experiência de terror inventiva, com efeitos práticos criativos e uma direção que sabia aproveitar cada espaço, mesmo com o orçamento limitado. Os efeitos especiais de Murder Mouse podem até ser relevados dentro desse contexto, mas a falta de cuidado está presente em todos os outros tópicos.
A situação piora quando o longa decide ampliar sua mitologia. A ideia de um assassino psicopata vestido como Mickey Mouse já oferece material suficiente para um slasher barato, estranho e potencialmente divertido. Não precisava de muito mais do que um grupo de jovens imprudentes, um parque abandonado e uma figura ameaçadora perseguindo suas vítimas. Em vez disso, o filme introduz um culto obscuro que adora um suposto Deus dos ratos e exige sacrifícios, o que, além de cair completamente no vale da estranheza, só conseguiu deixar ainda mais tosco o que já estava à beira do limte.

Abraçar o absurdo por si só não é um problema, mas Murder Mouse: Parque da Morte raramente demonstra controle suficiente sobre o próprio tom para que essa abordagem funcione. Em vez de parecer uma maluquice calculada, o filme transmite a impressão de que acredita estar entregando algo muito mais assustador e dramático do que realmente consegue.
Assistir a Murder Mouse: Parque da Morte seria uma ótima prova de resistência para qualquer reality show, e provavelmente muitos desistiriam antes das uma hora e meia de duração. O filme não funciona como terror e tampouco se estabelece como uma comédia de horror eficiente. Seu baixo orçamento não é o verdadeiro vilão, mas a falta de controle sobre o roteiro, o humor e as atuações impede que as limitações se convertam em algum tipo de charme excêntrico. Dá para rir de algumas situações, mas é difícil acreditar que essa fosse a reação pretendida. Se a intenção era entregar uma noite de tensão em um parque amaldiçoado, o resultado passa longe. Se você procura um terror ruim para assistir com amigos e comentar cada absurdo que acontece na frente de vocês, talvez encontre algum tipo de diversão. Fora desse contexto, é uma experiência difícil de recomendar.
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