Review | Stupid Never Dies - Capa
Imagem: Conecta Geek

Review | Stupid Never Dies mistura zumbis, pancadaria e muita esquisitice

Um zumbi apaixonado que precisa devorar monstros para ficar mais forte e salvar a garota por quem se apaixonou. Essa é a premissa de Stupid Never Dies, jogo de ação da GPTRACK50 que mistura elementos roguelite, transformações monstruosas e uma direção de arte inspirada na cultura pop. A aventura de Davy tem ideias criativas e um visual que chama a atenção logo de cara, mas algumas escolhas no combate e na progressão acabam atrapalhando o que poderia ser uma experiência ainda mais divertida.

Meu Namorado é um Zumbi: O Jogo

Davy é um zumbi que vive em um mundo repleto de criaturas estranhas. Sua vida muda quando conhece Julia, uma garota que acaba congelada. Para tentar salvá-la, ele parte em uma jornada por masmorras cheias de monstros, enfrentando tudo o que aparece pelo caminho em busca de uma solução.

A história não demora para mostrar que não pretende se levar muito a sério. O jogo aposta em situações absurdas, personagens excêntricos e um humor que combina com seu protagonista. Até a maneira no mínimo curiosa como Davy chega às masmorras — que é descendo pelo vaso sanitário de forma literal — ajuda a estabelecer esse tom, que mistura o grotesco com o cômico sem muita preocupação em parecer convencional.

Essa personalidade é bem-vinda, embora a narrativa nem sempre consiga aproveitar suas próprias ideias. Algumas explicações se alongam mais do que deveriam, e o começo demora um pouco para deixar tudo engrenar. Ainda assim, acompanhar um zumbi que enfrenta monstros por amor é uma premissa no mínimo divertida e arranca boas risadas.

Devore monstros e use seus poderes ao seu favor

A mecânica mais interessante de Stupid Never Dies é a capacidade de Davy de absorver os poderes de determinadas criaturas. Ao derrotar certos inimigos, ele consegue assumir suas formas e aproveitar habilidades diferentes durante as partidas. Isso inclui transformações inspiradas em monstros como lobisomens e harpias, cada uma com suas próprias possibilidades de combate.

É uma ideia que combina muito bem com a estrutura do jogo. Em vez de depender apenas de armas ou melhorias de atributos, Davy pode mudar sua abordagem conforme encontra novas criaturas. Experimentar essas formas e descobrir quais funcionam melhor contra determinados adversários dá um propósito extra à experimentação que um jogo desse gênero precisa.

O problema é que nem todas as transformações parecem tão úteis quanto deveriam. Algumas funcionam melhor do que outras, e é natural acabar recorrendo às opções mais eficientes quando os confrontos ficam difíceis. Isso diminui um pouco a vontade de experimentar, justamente o que deveria ser um dos principais atrativos desse sistema.

Alinhando isso ao fato de que as criaturas aparecem de forma aleatória, uma partida boa automaticamente significa ter a sorte de encontrar as melhores criaturas, enquanto outra partida aonde você só encontra criaturas ruins é mais propensa a terminar em derrota.

O combate diverte, mas poderia ser melhor

O combate mistura ataques básicos, habilidades especiais, esquivas e aparos. Na teoria, tem bastante espaço para alternar entre ofensiva e defesa, aproveitar as transformações e encontrar maneiras diferentes de lidar com os inimigos. E quando tudo funciona, as batalhas ficam movimentadas e realmente dão aquela sensação gostosa de conseguir superar um grupo inteiro de inimigos.

Porém, nem sempre as coisas acontecem como deveriam. Os ataques podem parecer imprecisos, especialmente quando vários inimigos estão próximos, visto que, por algum motivo, o jogo não tem uma opção de trava de mira. Em algumas situações, a câmera e o posicionamento também dificultam a sua leitura do que diabos está acontecendo na sua tela.

Os aparos seguem o mesmo caminho. Ele te incentiva a observar os movimentos dos adversários e reagir no momento certo, mas nem sempre ele transmite a precisão necessária para tornar essas ações confiáveis ou recompensadoras de alguma forma. Com isso, pode ser mais vantajoso simplesmente atacar com as habilidades mais fortes do que tentar aproveitar todas as possibilidades que o jogo te oferece.

Um roguelite frenético

A progressão de Stupid Never Dies se divide em incursões por diferentes áreas de uma masmorra. Durante essas tentativas, Davy enfrenta grupos de inimigos, coleta recursos e busca recompensas para ficar mais forte. Além disso, você tem um tempo limite para terminar tudo o que precisa fazer na masmorra, o que pressiona você a avançar com uma certa pressa, ao mesmo tempo que se preocupa em lidar com os inimigos.

Entre uma incursão e outra, nós podemos voltar a um shopping que funciona como sua base. Lá estão reunidas lojas, personagens e sistemas de aprimoramento, permitindo gastar os recursos obtidos e preparar Davy para a próxima tentativa.

Há bastante coisa para desbloquear. O Davy pode subir de nível, melhorar seus atributos e encontrar equipamentos que modificam suas características. Mas por outro lado, a quantidade de sistemas nem sempre se traduz em escolhas interessantes. Algumas melhorias oferecem diferenças pequenas demais para justificar a atenção que recebem, enquanto a repetição das incursões começa a pesar depois de várias tentativas.

A estrutura roguelite incentiva aquele pensamento de que a próxima run pode ser melhor, mas o fator sorte pesa muito quando todas as coisas resolvem dar errado numa mesma tentativa. Da mesma forma que você pode ter a sorte de ter uma tentativa perfeita com criaturas boas, com upgrades fortes e ficar absurdamente invencível, você também pode ter o azar de não conseguir nada disso e jogar uma partida fadada ao fracasso desde o começo.

Um visual charmoso e excêntrico

Se o combate nem sempre acerta, a direção de arte faz um trabalho bem mais consistente. Stupid Never Dies mistura cores fortes, referências a quadrinhos, anime e cultura pop, além de elementos gráficos que dão ao jogo uma aparência bastante própria.

A apresentação foge daquele visual sombrio que muita gente associa a histórias de zumbis. Nesse jogo, o grotesco divide espaço com cores vibrantes e composições exageradas, e o resultado disso é uma composição muito charmosa, excêntrica e que combina com o humor da proposta.

Em alguns momentos, porém, tanta informação visual pode acabar atrapalhando a leitura da tela. Durante os combates, principalmente quando há muitos inimigos e efeitos acontecendo ao mesmo tempo, fica mais difícil acompanhar tudo o que acontece. É um problema pontual, mas que merece atenção em um jogo que exige reações rápidas a todo momento.

Stupid Never Dies vale a pena?

Stupid Never Dies tem personalidade de sobra, e isso é inegável. A história de um zumbi apaixonado, as transformações monstruosas e a direção de arte colorida dão ao jogo uma identidade que não se perde entre outros títulos de ação. O problema, porém, está na execução. O combate nem sempre responde com a precisão esperada, algumas transformações são mais úteis do que outras e a repetição das runs pode cansar ao longo do tempo.

Portanto, eu recomendaria Stupid Never Dies, mas com ressalvas: vale a pena para quem se interessa pela proposta excêntrica e está cansado de propostas habituais, mas não é uma compra que eu recomendaria sem hesitar. A criatividade sustenta a experiência como um todo, porém os problemas de combate e progressão impedem que ela alcance todo o seu potencial.

O jogo foi enviado pela GPTRACK50 para a realização dessa review.

Stupid Never Dies está disponível para PlayStation 5 e PC (via Steam).

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Apenas mais um entusiasta de jogos eletrônicos, apaixonado por explorar novos mundos que me ajudam a compreender melhor o mundo que eu vivo. Também estudante de psicologia e um amor de pessoa nas horas vagas.