Review | Just Dance: Decades of Hits aposta na nostalgia e acerta na seleção de músicas

Just Dance: Decades of Hits foge da proposta tradicional da franquia ao reunir músicas que marcaram diferentes gerações, passando pelos anos 1970 até chegar aos anos 2020. A coletânea da Ubisoft não se limita a recuperar sucessos conhecidos, mas também utiliza as coreografias, os figurinos e a identidade visual de cada apresentação para representar as mudanças da música pop ao longo do tempo.

A proposta funciona bem, principalmente pela variedade de faixas e pela qualidade de boa parte das coreografias. Mesmo com algumas escolhas que não agradam tanto e músicas que poderiam ter recebido um tratamento melhor, o resultado é uma edição divertida, que tem potencial para permanecer instalada por bastante tempo.

Uma viagem por seis décadas de música

A seleção musical é o principal destaque de Just Dance: Decades of Hits. Entre as faixas presentes estão “Wannabe”, das Spice Girls, “It’s Tricky”, do Run-D.M.C., “Bye Bye Bye”, do *NSYNC, “Feel Good Inc.”, do Gorillaz, e “Into the Groove”, de Madonna. São músicas de períodos diferentes, com estilos que ajudam a perceber como a música popular se transformou ao longo das décadas.

Os anos 1980 estão entre os períodos mais bem representados, com uma seleção que combina pop, hip-hop e músicas dançantes. Já os anos 1990 e 2000 trazem uma mistura de grupos pop, artistas alternativos e produções eletrônicas, mostrando como diferentes tendências passaram a dividir espaço nas paradas musicais.

Reprodução: Ubisoft

A seleção também inclui sucessos mais recentes, com nomes como Chappell Roan, Sabrina Carpenter e Olivia Rodrigo. Nesse caso, as coreografias apostam em identidades visuais mais marcantes, com apresentações que exploram movimentos específicos e figurinos que combinam com a personalidade de cada artista.

Nem todas as músicas terão o mesmo impacto para todos os jogadores. Algumas faixas dos anos 2010 podem não despertar tanta identificação, enquanto outras, especialmente entre os lançamentos mais recentes, se destacam pela energia e pelas ideias aplicadas às coreografias. Ainda assim, existe variedade suficiente para que diferentes públicos encontrem músicas que gostem de dançar.

Coreografias e identidade visual fazem a diferença

Um dos aspectos mais interessantes de Just Dance: Decades of Hits está na maneira como cada música recebe uma apresentação própria. Os dançarinos não aparecem apenas para reproduzir movimentos, já que os figurinos, os cenários e a direção artística ajudam a estabelecer a época e o estilo de cada faixa.

Em “Wannabe”, por exemplo, as roupas e os penteados remetem diretamente à estética das Spice Girls. Já “Into the Groove” recupera elementos visuais associados a Madonna nos anos 1980, enquanto “It’s Tricky” utiliza roupas e acessórios característicos do hip-hop daquele período.

Reprodução: Ubisoft

Essa atenção também aparece em músicas de outras décadas. “Around the World”, do Daft Punk, aposta em personagens alienígenas e em uma apresentação mais absurda, enquanto “Hot To Go!”, de Chappell Roan, utiliza uma coreografia inspirada em apresentações de líderes de torcida. São escolhas que ajudam a diferenciar as faixas e evitam que todas pareçam seguir a mesma fórmula.

Nem tudo funciona da mesma maneira. Algumas coreografias parecem repetitivas ou não aproveitam tão bem o potencial da música. Em outros casos, a escolha dos movimentos pode não agradar a todos, mesmo quando a apresentação visual é interessante. Ainda assim, os melhores mapas demonstram cuidado na construção das sequências e conseguem transformar músicas conhecidas em experiências divertidas de acompanhar e reproduzir.

Modo Aventura traz uma novidade para a franquia

Outra adição de Just Dance: Decades of Hits é o Modo Aventura, que apresenta uma história protagonizada por Lyra. A personagem precisa resgatar o pai, o professor Giga Volt, que está preso no futuro, e conta com a ajuda das músicas para avançar nessa jornada.

A ideia oferece um motivo a mais para continuar dançando, especialmente para quem prefere ter um objetivo além de conseguir pontuações altas. O modo também permite partidas cooperativas locais para até seis jogadores, ampliando as possibilidades para quem gosta de jogar acompanhado.

Reprodução: Ubisoft

A apresentação inicial já demonstra uma integração interessante entre as cenas narrativas e as músicas. Em vez de deixar toda a história concentrada dentro de uma coreografia, o jogo utiliza cenas para conduzir a aventura e, em seguida, coloca o jogador para dançar. É uma abordagem que combina melhor com a proposta narrativa e dá espaço para que o modo desenvolva sua própria identidade.

Ainda assim, o modo livre continua sendo uma das principais razões para voltar ao jogo. A possibilidade de escolher diretamente entre as músicas facilita o acesso ao conteúdo, enquanto as playlists oferecem outra maneira de organizar as sessões. A interface também recebeu mudanças que tornam a navegação mais prática, com atalhos para os diferentes modos e para a lista completa de faixas.

Uma coletânea que vale a pena revisitar

Just Dance: Decades of Hits é uma edição que entende bem o que torna a franquia tão acessível. Não é necessário conhecer todas as músicas ou dominar os movimentos para aproveitar a experiência. O jogo funciona tanto para quem deseja competir por pontuações altas quanto para quem quer apenas dançar, se exercitar ou se divertir com outras pessoas.

A variedade da seleção ajuda bastante nesse sentido, assim como o cuidado visual aplicado às apresentações. Existem músicas que poderiam ter coreografias melhores e outras que talvez não despertem vontade de jogar novamente, mas os acertos são numerosos o suficiente para manter a experiência interessante.

A proposta de percorrer seis décadas também dá à coletânea uma identidade própria. Os figurinos, os cenários e os estilos musicais ajudam a perceber as diferenças entre os períodos, transformando a seleção em algo que vai além de simplesmente reunir sucessos de várias épocas.

O Modo Aventura complementa o pacote com uma opção para quem procura progressão e contexto narrativo, enquanto as playlists e a seleção livre continuam oferecendo liberdade para escolher o que dançar. A possibilidade de reunir até seis jogadores no modo cooperativo local também reforça o caráter social da franquia.

No fim, Just Dance: Decades of Hits entrega uma seleção musical consistente, coreografias variadas e novidades que justificam a proposta desta edição. Não é uma experiência perfeita, mas seus melhores momentos mostram o potencial de uma franquia que continua encontrando maneiras de reunir pessoas por meio da música. Para quem acompanha Just Dance há anos ou pretende começar agora, esta é uma edição que merece atenção.

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